RESPEITO

Na edição da revista VEJA de 03 de abril encontrei um artigo de J.R.Guzzo intitulado “Os importantes”, do qual reproduzo uma parte:

eike-e-lulaO cidadão brasileiro Eike Batista, controlador de um conjunto de empresas com sede no Rio de Janeiro, faz parte de um certo tipo de gente que acaba classificada como “importante”. Eis aí uma palavra de significado duvidoso. Pode ser uma descrição positiva para algo ou para alguém. Pode ser também, e aí a coisa já complica uma boia de salvação para valorizar pessoas, obras ou acontecimentos quando não existe, no mundo dos fatos reais, um mínimo de fundamento capaz de justificar essa valorização.

Não importa se uma pessoa tem ou não tem virtudes. Não importa, na verdade, o que tenha feito ou deixado de fazer. Basta conseguir que a chamem de “importante” – vai passar a vida inteira sendo elogiada, sem que ninguém nunca saiba exatamente por que, e sem que precise mostrar serviço.

É um fenômeno muito comum na cultura. Há o “escritor importante” – mas ninguém se lembra de um único livro realmente bom que tenha escrito. Há, na mesma linha, o músico, o pintor, o diretor de cinema, o filósofo, o crítico que ganham a comenda de “importante” – e até mesmo, nos casos de bobagem em estado terminal, os que são considerados os “mais importantes de sua eike-e-dilmageração”…

… Alguns anos atrás, ele (Eike Batista) começou a aparecer na mídia; logo ganhou dos jornalistas o certificado de “empresário importante”, e desde então é raro que se passem três dias seguidos sem que o seu nome seja citado em algum lugar. Ajudaram-no, sem dúvida, o fato de ter aparecido nessas listas de homens “mais ricos do mundo”, cuja veracidade é algo que jamais foi possível provar de maneira satisfatória, e sua disciplina em manter-se à disposição da imprensa 24 horas por dia. Mas onde estão, precisamente, seus feitos concretos como empresário?

Eike Batista, no noticiário, está num eterno “vai” – vai fazer, vai investir, vai negociar, vai estudar, vai comprar, vai vender, vai associar-se. Não se fala, depois, no resultado dessas intenções…

Após ler o texto de J.R. Guzzo, na semana seguinte me deparo com a notícia do jornal O Globo:

Na noite desta quarta-feira, 10, Cissa Guimarães participou do evento de reinauguração do antigo túnel Acústico, que agora leva o nome do filho caçula da atriz, Rafael Mascarenhas – que morreu no local enquanto andava de skate com amigos no dia 20 de julho de 2010.

A reinauguração do túnel Acústico Rafael Mascarenhas, na Gávea, Zona Sul do Rio, contou com a presença de João Velho, Tomaz e Camila, irmãos de Rafael. Durante o evento, Cissa e João apresentaram a placa com o novo nome do túnel. O local também ganhou um desenho do rosto de Rafael.

cissa

Aparentemente pode não haver relação entre os dois eventos, mas “tem tudo haver”, pois noto que Cissa Guimarães faz parte do seleto grupo classificado de “importante”, pois trabalha em uma emissora “importante”. Creio que daí vem sua classificação como “atriz importante”.

Outro fato que relação total com os anteriores é de que o filho do empresário “importante” atropelou em uma rodovia um ciclista. Ele responde por homicídio culposo, quando não há intenção, por ter atropelado e matado o ciclista Wanderson Pereira dos Santos na rodovia Washington Luis, em março de 2012. O perito, na ocasião, informou que o filho do “importante” trafegava a uma velocidade superior a 130 Km/ hora.

 O resultado da análise foi divulgado pela Polícia no dia 9 de abril e comprovou que o jovem, a bordo de uma Mercedes SLR McLaren prata, estava entre 100 e 115 km/h quando atingiu Wanderson. A velocidade máxima permitida na via é de 110km/h. O estudo foi feito pelo DGPTC (Departamento Geral de Polícia Técnico e Científica) e contradiz o laudo anterior, retirado do processo em fevereiro, que apontava que a velocidade do veículo era de até 135 km/h.

 A lógica me leva a apenas uma conclusão: um dos peritos deve ser demitido a bem do serviço público e o empresário “importante” deve ser preso por corrupção ativa e o filho do “importante” preso por trafegar colocando em risco a própria vida e de terceiros. Simples assim.

Eu não, não sou classificado como “importante”, muito pelo contrario, faço parte da imensa maioria de cidadãos brasileiros que levam a vida de forma ordeira e normal.

Eu também perdi uma irmã, por irresponsabilidade de um motorista de caminhão na Rodovia Presidente Dutra. Após chocar-se com sete veículos o caminhão acertou em cheio o carro de minha irmã, o qual veio a incendiar-se e causar a morte da minha irmã Wania.

Não, o prefeito não assinou um decreto mudando o nome da rodovia para Rodovia Wania, nem tão pouco colocou uma placa com o rosto dela na rodovia para homenagea-la. Não, não foi feito nada, nem sequer o motorista do caminhão foi indiciado ou preso.

Calma, não me classifique de imediato como um “zé ninguém”,  é possível que a minha importância se restrinja ao âmbito da minha família, minha esposa, com quem sou casado há 35 anos, meus filhos e minhas três netas. Muito provável também que seu seja importante entre os meus irmãos em Cristo, meus amigos, meus companheiros de trabalho enfim na parcela da sociedade da qual faço parte. Uma certeza eu tenho “sou importante para Deus”.

Quantos outros pais, mães, irmãos, tios já perderam um ente querido em um acidente, em uma tragédia e as autoridades nem sequer manifestaram qualquer tipo de solidariedade, apenas o silencio ensurdecedor. Será que alguém há ouviu falar em rua, viadutos, tuneis, pontes, avenidas com os seguintes nomes: João Hélio Vietas, Isabella Nardoni, Mirian Brandão, Madeleine McCann, Grazielly Almeida, Vitor Gurman, Wania Pinto da Silva, Pedro Henrique Marques, Victor Hugo Deppman, Izabela Bento Prancic, Wanderson Pereira dos Santos…

NÃO, não existem rodovias, tuneis, ruas, praças, jardins ou qualquer outro local com esses nomes. Realmente eles não são “importantes”.

BASTA! Nós não queremos ser “importantes” nós queremos respeito. Exigimos ser respeitados como cidadãos, como membros da sociedade, como seres humanos que merecem que seus sentimentos sejam respeitados.

Nós queremos respeito, pois as nossas obrigações e deveres são cumpridos e os nossos direitos são relegados, sabe-se lá a que plano. As autoridades não cumprem com suas obrigações em fornecer acesso à segurança, saúde, educação enfim as condições básicas para o bem estar da sociedade, além de não cumprirem com suas obrigações, nós somos forçados a assistir a impunidade, desfaçatez e o mau caratismo apresentarem suas desculpas em rede nacional, através de figuras como os Dirceus, Genoinos, Delubios, Cunhas, Lullas, Cabrais, Paloccis, Collors, Malufs, Sarneys…

Enquanto convivermos apaticamente com os “importantes” e seus privilégios não teremos justiça e tão pouco os direitos individuais respeitados.

Quanto mais distante às autoridades constituídas se posicionarem em relação ao povo brasileiro, maior será o número de tragédias causadas pela certeza da impunidade. As autoridades são surdas e débeis, pois não ouvem e não entendem a “voz das ruas”.

Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam.” Romanos 1:32.

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