Shabat o descanso

“Guarde o sétimo dia como dia de santo descanso. É ordem minha. Trabalhe, nos outros seis dias, mas o sétimo dia é dia de descanso do Senhor seu Deus. Nenhum trabalho será feito nesse dia, nem por você, nem por ninguém da sua casa, filhos, filhas, criados, criadas, bois, burros ou qualquer outro animal. Nem mesmo os estrangeiros que estejam morando com você. Todos têm de obedecer a este mandamento. Todos devem descansar nesse dia sejam empregados ou patrões. Por que você fica obrigado a guardar o dia de descanso? Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar, e tudo que neles há e descansou no sétimo. Por isso Eu separo o dia de descanso e lhe dou uma benção toda especial.” (Êxodo 20:8-11 – Bíblia Viva/ 2ª Edição/ Mundo Cristão/ 2002)

Descansar não significa cessar todas as atividades.

Os hebreus entendiam o sétimo dia, o shabat, não como a cessação de toda a atividade, mas um tempo criativo, não como simplesmente descanso físico, mas como tempo dedicado a Presença do Criador do próprio tempo chamado Eternidade.

Este “dia de delícia” como instituído por Deus tornou-se um ponto de discórdia para milhões de crentes. Para muitos, simplesmente é uma quebra da semana de trabalho, para outros uma interrupção sistemática de todos os afazeres, assim somos impedidos de entender e celebrar corretamente este período importante.

Os rabinos seguem o seguinte raciocínio sobre esse assunto. “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou (Gn 2.2). Então, o que foi criado no sétimo dia? O menuha

Partimos da premissa do significado da palavra hebraica para descanso, menuha: tranqüilidade, serenidade, paz e descanso, que é traduzido também como “repouso jovial ou delícia”. É por este angulo que devemos observar a definição dessa prática que se perdeu, alterando o significado do descanso sabático.

O descanso sabático é diferente das férias, uma vez que esta última está apenas relacionada ao lazer. O shabat é um período de reflexão, pensamento, observação, olhar as coisas sob outra perspectiva e dimensão. Avaliar o que sou e o que eu posso ser. Criar uma nova condição para o equilíbrio mental, físico e espiritual. Revisão da alma, oxigenação, se comprometer melhor com a visão que Deus nos deu. Coragem para perceber o novo. O que caracteriza um período sabático é o afastamento da rotina para rever rumos.

“O SENHOR é o meu pastor: nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma;…” (Salmo 23:1-3)

Note que a “Deitar-me faz” vêm antes das palavras “Refrigera a minha alma”. É quando entramos no seu descanso que experimentamos seu maravilhoso toque curativo sobre as nossas vidas.

E o sábado? O shabat embute o princípio do descanso. Não como obrigação, mas como uma recomendação regeneradora. Assim afirmamos que o descanso nada mais é do que um momento de reviver no homem os privilégios do Paraíso, uma vez que o homem decide, escolhe parar suas atividades e criar um espaço em sua agenda, um tempo para si e para integrar-se com a mente e com os desígnios de Deus. Como Deus criou em seis dias e parou no sétimo, o homem deve procurar o mesmo.

O Senhor deseja que usemos este descanso (um dia, dois dias, meio dia, um período…) para fazer várias outras coisas. É possível que esse intervalo, nas pressões do dia-a-dia, seja um tempo para apenas ficar quieto e fazer a nós mesmos alguns questionamentos, como:

Senhor tu és realmente o primeiro em minha vida?

Há alguma coisa entre o Senhor e eu?

Quando me acho em dificuldade, procuro o Senhor em 1º lugar?

Desonrei o seu nome esta semana?

Tenho louvado as obras de tuas mãos Senhor?

Sonda o meu coração, Senhor?

Além dos questionamentos, podemos aproveitar esse “descanso” para que possamos lembrar:

de quem Deus é;

do preço incrível que ELE pagou para comprar-nos;

do que ELE prometeu fazer por nós e através de nós;

do que ELE quer realizar em nossos corações e vidas;

e do lugar que ELE está preparando para nós;

e do dia que estaremos diante dELE.

ELE mesmo estabeleceu um período de descanso para que nós pudéssemos investir tempo para estar com ELE.

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:29).

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará” (Salmo 91:1)

“Porque assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força…” (Isaías 30:15)

Que desfrutemos com sabedoria essa oportunidade que Deus nos concede para nosso descanso (menuha).

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