Não creio em ateus. Ateus não existem.

Já faz um tempo que tenho refletido sobre a questão do ateísmo. Claro, todos pensamos nisso em algum momento. Como pode alguém “chegar à conclusão” de que não há Deus? (Sl 42.3,10) Isso, sim, é que não existe, ou seja, a conclusão de que Ele não existe. Até Antony Flew, um dos pais do moderno “ateísmo”, concluiu, pouco antes de sua morte, que a pesquisa sobre o DNA “mostrou, em vista da complexidade quase inacreditável dos arranjos necessários para a produção de vida, que inteligência foi envolvida no processo” (Um ateu garante: Deus existe, Ediouro, ênfase acrescentada). E como ele, sabemos de muitos outros “ex-ateus” que à beira do precipício, renderam-se.

Mas a minha descrença no ateísmo não parte da religiosidade inata – nos humanos também. Não parte das minhas reflexões e racionalizações. Já publiquei um livro que lida com a questão “religião versus” ou “religião & ciência” (Ciência e Fatos Bíblicos, Dynamus, 2ª ed., 2004), onde demonstro as leis, os fatos e as descobertas da própria ciência que atestam, com as ferramentas da ciência, a veracidade do relato bíblico. Ditos ateus e religiosos, ambos têm fortes argumentos “irrefutáveis” em causa própria.

Mas o caso não é esse, já que a questão não são os fatos e as narrativas primordialmente, mas o próprio Deus. O dito ateu não deve ter dificuldade em crer no Jesus histórico, ou no movimento dos hebreus rumo à palestina, nem na existência da arca da aliança. O dito ateu é aquele que não crê na existência de Deus, mas pode admitir que relatos bíblicos são verificáveis. Do contrário, seria irracionalidade sua, pois a Bíblia lida com lugares, nomes, posições geográficas, datas históricas, além da documentação arqueológica, histórica, linguística, antropológica e muitas outras. Há ditos ateus escavando sítios arqueológicos orientados pelos relatos das Escrituras judaico cristãs. Ponto.

A questão do ateísmo é outra. Ele refuta a existência de Deus. Mas não há provas da existência de Deus, como igualmente não há provas da sua inexistência! Todo dito ateu que seja razoável concorda aqui como nós religiosos também. Verificam-se, então, as evidências. A discussão toda se mantém no campo das evidências e na refutação das mesmas, de ambos os lados.

Uma campanha da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA), que seria veiculada em ônibus de Porto Alegre e Salvador – e que foi suspensa – traria a discussão para o campo errado. Os cartazes continham frases como “Religião não define caráter” e “A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas”. Note que as próprias frases não são um ataque a Deus e sua existência, mas claramente uma manifestação preconceituosa e discriminatória contra a religiãoe a fé. Essa campanha existe em países da Europa, como Inglaterra e Espanha, e também nos Estados Unidos.

As frases, a meu ver, são medíocres, não têm sentido lógico. Do ponto de vista dito ateu, ou mesmo da perspectiva científica, não são passíveis de comprovação. Do ponto de vista teológico elas são uma farsa. Religião não define caráter, mas Deus define; e mais, a fé faz perguntas, sim, por um sujeito com o qual dialoga por meio de sua Palavra. Qualquer cristão com conhecimento básico em teologia poderia refutá-las.

Além do mais, as frases demonstrariam, caso viessem à público, um imperdoável desconhecimento da história. Dizer que Johannes Kepler não fazia perguntas porque tinha fé! Foi ele quem disse que o cientista que estuda a natureza “está pensando os pensamentos de Deus depois dele”. Blaise Pascal não fazia perguntas porque tinha fé! Ele afirmou que “a fé nos diz o que os sentidos não percebem, mas em contradizer suas percepções. Ela apenas transcende, sem contradizer”. E Isaac Newton? Sobre a incredulidade, saiu-se com essa: “O ateísmo é completamente sem sentido. Quando olho para o sistema solar, vejo a terra na distância correta do sol para receber a quantidade de luz e calor apropriadas. Isso não aconteceu por acaso.” Sorte dos ditos ateus que a campanha foi rejeitada a tempo.

Então, não preciso discorrer sobre o conteúdo das frases, mas quero evocar o texto de Eclesiastes, que diz: “Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade…” (Ec 3.11). Esse texto da versão NVI traz “eternidade”, tradução de um termo hebraico que significa “para sempre”. Algumas versões trazem “mundo”, mas literalmente a tradução é “para sempre”. O texto diz que há, inato no ser humano, o desejo, o anseio, a vocação para o tempo futuro, eterno, para sempre.

O homem é um ser que vive o presente, movido pelas experiências do passado procurando resolver os enigmas do futuro. Sempre foi assim. Nossa preocupação tem sido o amanhã. A ansiedade, patologia que afeta a milhões no mundo, resulta incerteza sobre o amanhã, sobre o futuro. O passado, tendo sido bom ou mal, influencia as nossas decisões hoje, quando procuramos a melhoria nas próximas ações e decisões a serem tomadas – no futuro. O homem é um ser voltado para o futuro. Assim, negar a existência de Deus pode ser reflexo de um trauma ou frustração passada que desemboca em uma rejeição e negação do futuro e de tudo o que ele reserva. E, se o futuro é estar com Deus (ou separado dele), o reflexo do passado implica na rejeição de qualquer compromisso com o “estar com Ele” (ou “para sempre” separado dele).

Sartre, Camus e outros ateístas humanistas ensinavam que somos fruto do acaso, diziam que a humanidade foi empurrada para dentro da existência sem qualquer conhecimento de suas origens: empurrados por quem? Diziam viver a tragédia humana, o absurdo, e que o suicídio como solução final era a questão a ser considerada. Assim, penso, o suicídio para eles e seus seguidores era uma tentativa de rompimento com um futuro admitidamente “sem Deus”, uma manobra para driblar Deus vindo ao seu encontro no futuro. Era um atalho para não entrar no Caminho.

Se, como escreveu o sábio Salomão, Deus colocou “no coração do homem o anseio pela eternidade”, então como fugir dessa condição e destino? A eternidade é, então, uma metonímia que pode ser substituída por Deus. O homem veio de Deus e Deus colocou em seu coração o desejo de retornar para Ele. Se “fomos empurrados” para dentro da existência – como queria Sartre – ao sairmos dela voltamos para a origem, voltamos para Deus. Como livrar-se dessa condição inata? Não há como! Rejeitar a existência de Deus – diga-se de passagem, um Deus eterno e que Ele mesmo se encontra na eternidade – é um paliativo simplista demais, equivocado certamente, reducionismo.

Dizer “não creio em Deus” é puro discurso, palavrório de quem anda na contramão porque quer chamar a atenção. Não creio nisso. É polemização, tão somente, que leva a pessoa a construir um estilo de vida e uma maneira de pensar que com o tempo aparenta – a ela e aos outros – que realmente crê naquilo que prega. Em psicologia isso é chamado sublimação.

Não posso crer em ateus dessa forma. Ateus não existem.

Pr. Magno Paganelli
Original: http://goo.gl/pbpqA

 

14 comentários sobre “Não creio em ateus. Ateus não existem.

  1. Ateus existem sim, e aqui estou com proposições que refutam as suas colocações a respeito do Assunto. Até os 8 anos de idade eu fui obrigado a acreditar em um “Deus”, mas com o passar dos anos e com o aumento da minha capacidade intelectual; depois de ler e reler o velho e o novo testamentos, fazer diversas anotações e resumos, pude comprovar que tudo o que foi escrito sobre “Deus”, parte totalmente do equívoco humano. O homem dos primórdios da civilização não tendo outras explicações sobre a existência inventou uma palavra de quatro letras, criou uma religião em cima dessa palavra e ainda tem coragem de dizer que uma ideia como essa representa a verdade? Leia sobre a minha equação de Deus aqui: http://rcristo.com.br/tag/deus-e-somente-uma-ideia/
    “Deus”, que nada mais é do que apenas uma ideia, é um veneno para a mente de pessoas ingênuas que ficaram o tempo todo se torturando porque pensam que estão pecando ou coisas do gênero!
    Hoje a minha mente está livre dessa ideia e noto o quanto essa experiência é gratificante, quando nos livrarmos de uma vez por todas dessa crença, nossa paz será imensa, porque vamos perceber que nunca precisávamos dela mesmo!
    “Uma mente sem “Deus” é uma mente que está na verdadeira sintonia com o cosmos, com a verdade e com a liberdade”.
    A invenção de “Deus” pelo homem causou um enorme prejuízo para a humanidade e estamos sofrendo até hoje com guerras religiosas, terroristas e coisas do gênero.
    Esse é um dos motivos de nosso IDH ser tão inferior ao de países considerados “Ateus”, onde as pessoas conseguem pensar sem a influência de religiosos que não possuem nem o mínimo de conhecimento do nosso momento presente para poder opinar sobre questões contemporâneas.
    Este é mais um fato a favor de ser Ateu. Prefiro reconstruir os meus valores em cima de descobertas científicas, filosóficas, verdades comprovadas, e fico maravilhado cada vez que a NASA atualiza os meus bancos de dados de planetas extrasolares, como o Kepler-11.
    Li os livros de Sartre, Camus, Heidegger, Nietzsche, etc. A minha interpretação é bem diferente; para esses intelectuais o Niilismo é uma condição que se traduz em levar os valores ao limite, para somente depois, confrontá-los com a verdadeira realidade vivida pelo ente. O suicídio neste caso, nada mais é do que a morte dos valores equivocados em nós mesmos – é o mesmo que matar “Deus” – isto é, colocar um fim no equívoco de sua interpretação.
    Concorde plenamente com Dewey, quando ele disse: “só atingiremos a maturidade política no momento em que conseguirmos dispensar qualquer cultura metafísica, qualquer cultura que creia em poderes e forças não-humanas”.
    Também concordo com Murray Guell-man quando ele diz: “Não preciso de algo mais, para obter algo a mais.”
    Não passávamos de toupeiras humanas na época das escrituras. A caverna de Platão explica muito bem isso. Hoje vivemos na era das luzes, e estamos com a mente e os olhos bem abertos para contemplar o homem e o universo, e, por favor, (Sem Deus)!
    {rcristo}

    • Prezado Reinaldo,
      Obrigado pela gentileza e educação na contra-argumentação ao meu texto. Isso é saudável para nós dois.
      Mas permita-me uma tréplica, negando apenas alguns pontos seus, embora sem a pretensão de estender muito a discussão, uma vez que – como já disse no texto – ambos os lados têm armas até os dentes.
      A revelação da Escritura, para nós que cremos, traz em parte a ciência de Deus para o homem em determinados assuntos. Num deles, ela diz da impossibilidade de alguém nascer sem a noção de Deus. Isso é comprovado pelas ciências modernas, que falam da mesma forma (para não romper meu raciocínio neste ponto, coloquei abaixo os argmentos filosóficos – não bíblicos – sobre o assunto).

      Sentir “paz” qualquer cristão que tenha lido e entendido as proposições da Bíblia sente. Sou cristão e não vivo atormentado com a questão do pecado porque entendi o que a graça de Deus e a sua função na vida do crente. Paz como você sente é uma sensação de alívio porque não entendeu o que é a graça. Assim, pensa sentir paz livrando-se da condenação e culpa que o pecado impõe. Mas se tivesse compreendido o que é a graça e sua função não precisaria ter renegado a Deus. A psicologia lida com essa categoria, ensinando que não devemos mais considerar o pecado. Rubem Alves fala disso nos seguintes termos: “O pecado não faria sentido se não fossem os estados emocionais dolorosos”. É ilusória e temporária a sua paz.

      Por fim, é uma tremenda e conhecida falácia que o cristianismo produziu mais mortes que os estados ateus. Refaça as equações você mesmo:

      Stálin: Na antiga União Soviética Stálin promoveu a morte de 40 milhões de pessoas

      Hitler: As primeiras vítimas do holocausto foram 70 mil. No final, 6 milhões de judeus e de 9 a 10 milhões de outras pessoas (grande parte cristãos)

      Mao Tse Tung: De 1948 a 1976, Mao matou cerca de 72 milhões de chineses por meio da fome e morte em campos de trabalhos forçados.

      REFAZENDO AS CONTAS

      Mao: 72 mi
      Stálin: 40 mi
      Hitler: 15 mi
      TOTAL: 127 milhões (todos estados Ateus)

      Soma-se a isso as guerras do século XX: > 170 milhões (um Brasil desapareceu!)

      Usando critérios exagerados, pessoas mortas “em nome de Jesus” chegam a 17 milhões em 20 séculos! (20 séculos, não 1 como o caso dos ateus)

      O Estado ateu matou 10 vezes mais em 100 anos que o cristianismo em 2000 anos de história.

      Mais: estima-se que 65 milhões de abortos são realizados por ano com apoio de pessoas que desconsideram a “ideia de Deus e do pecado”.
      Nos últimos vinte anos, 1 bilhão de pessoas foram mortas somente por meio do aborto (quase 1/5 da população mundial).

      Reinaldo, é um péssimo negócio rejeitar a realidade. Matar Deus mata: mata os outros, mata por fim a si mesmo.
      Forte abraço,
      Magno
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      Argumento ontológico. Anselmo: “Se o homem tem imanente em si a idéia de um ser absolutamente perfeito, por conseguinte deve existir um Ser absolutamente perfeito”.
      Eclesiastes 3.11: “Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade”.
      Argumento cosmológico. Tudo o que existe no mundo deve ter uma causa primária. Imanuel Kant: “Se tudo que existe tem uma razão de ser, isto deve ter um ponto de origem em Deus. Ele é o agente que harmoniza e equilibra em Si todas as coisas”.
      Argumento moral. O reconhecimento por parte do homem de um bem supremo e do seu anseio por uma moral superior, indicam a existência de um Deus que pode converter esse ideal em realidade. Dostoievsky é autor da famosa máxima de que se não há um Deus, então tudo é permitido.
      Argumento histórico. “Entre todos os povos e tribos da terra é comum a idéia de que o homem é um ser religioso em potencial. Sendo universal esse fenômeno, isso deve ser parte constituinte da natureza humana. E se a natureza humana tende à prática religiosa, isso só encontra explicação num Ser superior”.
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      • Caro Pr. Magno

        Compreendo a sua posição em defender os sentimentos e proposições de sua crença, é por isso que estamos nesse embate, que na realidade é um diálogo saudável e gratificante para aqueles que têm dúvidas a respeito do tema.

        Fico agradecido por comentar a minha réplica em seu artigo, e desde já gostaria apenas de esclarecer alguns pontos que são úteis para ambos; sem a intenção de debater assuntos técnicos que tomariam muito do nosso tempo.

        Sobre quem matou mais Igreja X Estados Ateus?

        A população na era cristã era de apenas 300 milhões, vide fonte: http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://ldolphin.org/popul.html

        Segundo a mesma fonte, somente na idade média a população mundial chegava ao primeiro bilhão de pessoas. Portanto, é claro que se os parâmetros forem apenas números, sem considerar fatores como o quanto era pequena a população mundial em 2000 anos atrás, fica desproporcional o número de mortes causadas pela Igreja, frente aos estados Ateus.

        Como surge a religião?

        O sociólogo Emile Durkheim, em seu livro: “As formas elementares da vida religiosa”, explica como surge o sentimento religioso nos primórdios da civilização:
        “A religião é fruto da ação social, produto da sociedade, e que a mesma “exprimem realidades coletivas” e “se destinam a promover, a manter, ou a refazer certos estados mentais desses grupos” (p.38). Ou seja, a Religião é o conjunto das atitudes e atos pelos quais o homem manifestava sua dependência em relação a seres sobrenaturais. O homem idealiza a religião, mas expressa uma realidade concreta, sendo assim ela não é fantasiosa, mas real. Ele estuda as religiões primitivas por dois motivos: (i) satisfazem as mesmas necessidades, desempenham o mesmo papel, dependem das mesmas razões, e podem ser usadas para expressar a natureza da vida religiosa. (ii) A sua evolução explicaria as religiões atuais. Assim, ele procurava analisar a realidade social da religião australiana, considerada, por ele, a mais primitiva que já existiu. Ele via a religião como representações coletivas. Estas se originam nas comunidades e incluem as categorias mais básicas do pensamento humano, tais como causalidade, tempo e espaço. Essas representações coletivas, embora inicialmente de conteúdo religioso, constituíam o paradigma de todas as formas avançadas do conhecimento teórico. Em seu relato sobre religião e a manifestação das representações coletivas, era essencial separar o profano do sagrado. Segundo ele, o fenômeno religioso divide-se em: o sagrado e o profano. A religião nasce a partir do momento que há uma diferença entre o sagrado e o profano. É sagrado, tudo aquilo que está ligado ao sobrenatural: magia, mitos, crenças. É profano tudo o se refere ao fator natural, biológico, normal. Sendo a religião uma representação das necessidades reais de uma sociedade, cabia a ciência descobrir qual era seu verdadeiro significado. Quando isso acontecesse então, seria possível conhecer os elementos comuns a todas elas. Seria possível criar uma religião geral. A conclusão geral do livro é que a religião é algo eminentemente social. A religião era importante para Durkheim como exemplo de representações coletivas compartilhadas, “não como prova da existência de Deus”.

        Sobre fugir da realidade?

        Não há como fugir da realidade, ela nos envolve de forma integral. Nós ateus, não estamos fugindo de nada, estamos apenas evoluindo a própria consciência que deixa de estar atada à crença para alcançar uma razão de ser, existir e viver toda a plenitude do universo conhecido que nos envolve hoje. O nosso objetivo não é fazer o indivíduo ficar amarrado a uma ideia (Deus), mas sim, tornar cada um de nós autoconscientes de nosso ser e do universo em que vivemos.

        Preocupação com o próximo

        A preocupação com o próximo é fundamental para que a nossa sociedade seja formada por pessoas autoconscientes, que desenvolvam valores cujo foco seja sempre a pessoa humana, sem a influência de qualquer outro ser a não ser nós mesmos. Com a descoberta de vida inteligente em outros planetas, precisaremos estender esse mesmo pensamento e
        sentimento em relação a esses seres também.

        Estamos apenas de passagem por aqui

        Veja a grandiosidade de nossa galáxia, com as últimas estimativas de que somente nela existem 50 bilhões de planetas, sendo 500 milhões podendo ter vida de alguma forma. É tão reconfortante saber que cada partícula de nosso corpo, esteve um dia dentro de uma estrela que nasceu com o universo a mais ou menos 13,7 bilhões de anos.

        Caso ficarmos atrelados a uma crença ou a uma ideia fixa (Deus), jamais poderemos desfrutar a tranquilidade de curtir esse pequeno tempo de vida que é estarmos viajando eternamente pelo cosmos, curtindo a paisagem e as descobertas cada vez mais esclarecedoras e precisas, sobre quem somos e para aonde estamos indo…

        Vida longa e próspera para você meu caro Magno.

        Um grande abraço.

        {rcristo}

      • Caro Reinaldo,

        Também quero agradecer a maneira tão cordial como respondeu a minha “réplica”, por assim dizer. Lendo o seu último texto, de fato fica claro que você usa as ferramentas da sociologia, como podia usar as da arqueologia, da psicologia, da história das civilizações e tantas outras que sempre partem de pressupostos divergentes quando o assunto é fé. Ao contrário do consenso, não vejo essas ferramentas da ciência moderna como antagônicas a fé. Até mesmo escrevi um livro há um tempo (Ciência e fatos bíblicos, Dynamus, 2004) onde demonstro e argumento que ciência e fé são ambientes distintos, que podem ser úteis um ao outro sem detrimento de nenhuma das partes.

        Evidência disso é a “epidemia” de textos sobre Jesus e seus métodos educacionais e corporativos usados por coaches nos últimos anos. O que sabia Jesus sobre empreendedorismo, sobre empreendimento, sobre liderança corporativa? Nada, provavelmente. Mas os lviros desta categoria estão entre os mais vendidos em plena era cibernética. Faz pensar. No entato, basta usar as lentes dessas áreas de interesse e enxergará na Bíblia o que quiser, até mesmo a religião (algo sobre o qual eu não tratei no meu texto) como fenômeno social. ** E aqui um aparte: os números de mortes causadas pelas cruzadas e inquisição é aceito por muita gente como “mortes em nome do cristianismo”, uma vez que o verdadeiro no cristianismo não há discurso que ordene isso. Ee leva a fama e paga a conta por algo que não lhe é próprio. O mesmo não pode ser dito sobre os números que apresentei, mesmo guardadas as proporções que você apresentou, ainda mais se considerarmos que você trabalha com a “evolução interior do homem arreligioso”. **

        A Bíblia, a despeito dos ataques que leva, não traz um só versículo tentando provar a existência de Deus, no mínimo curioso, por tratar-se do que chamamos “Palavra de Deus”. Por que será? É matéria a ser estudada. Uma pista para ser seguida talvez seja o versículo de João 7.17. Mas o texto pode ser rechaçado facilmente por um ateu, por isso aconselho que nem o leia.

        Para finalizar, apenas quero divergir sobre o “reconforto” de saber “que cada partícula de nosso corpo, esteve um dia dentro de uma estrela que nasceu com o universo a mais ou menos 13,7 bilhões de anos”. Não sinto qualquer reconforto com essa ideia, que para mim precisa ter muita fé para ser aceita, até mais que no próprio Deus!

        Reinaldo, a você não desejo vida longa, mas vida eterna. O universo é muito grande para vivermos apenas uns 80 ou 90 anos por aqui e ponto final. Só a eternidade com Deus poderá proporcionar condições espirituais para, depois dessa vida passageira, deliciarmo-nos com tudo aquilo que o Senhor criou.

        Forte abraço,
        Magno

  2. Caro Pr. Magno

    O que busco é o esclarecimento, a atitude mais realista que podemos ter; e falando de fé, estamos nos referindo a algo que não precisa ser provado, basta apenas acreditar. Não vejo como comparar a fé com a certeza de que viemos de uma nebulosa (formação estelar), isto é um fato, assim como é um fato que estejamos orbitando em torno de nossa estrela “Sol”; também é um fato nos referirmos à teoria da evolução como verdadeira, onde ela já não é mais somente teoria, é um fato comprovado; são evidências encontradas em vários estudos a todo o momento.

    A subjetividade da fé, em contraposição à objetividade da ciência, nos leva para um contraponto, fazendo-nos refletir mais e mais sobre questões relacionadas com as experiências que estamos presenciando. Essas experiências trazem à tona questões relacionadas com a própria crença e sua validade. Tanto a fé quanto a crença, chegaram a um limite e não permitem mais que possamos usá-las para explicar o mundo à nossa volta e muito menos o universo.

    A fé e a crença não podem ser empacotadas, não podem transformar-se em outras coisas que não sejam o subjetivo, não há como extrair desse modo de pensar algo que vá de encontro ao futuro, que explique nossas experiências, nos dê alguma certeza, traga-nos conforto, etc.

    Imagine como usar a fé para amparar as pessoas vítimas de catástrofes naturais, como as que estão afetando o Japão neste momento? É mais uma questão de amparo econômico, social e ajuda humanitária, do que usar o puramente subjetivo.

    Sobre viver eternamente, a única possibilidade para isso é se nossa consciência for transportada completamente para uma máquina, isso somente será possível daqui a milhares de anos, quando nossa tecnologia poder clonar tudo em nós, até ao nível da consciência.

    Sobre a vida o que sabemos no momento é que ela é transitória, isto é, todo o universo tem a possibilidade de existir vida; em muitos planetas, luas e até mesmo em asteroides, etc.

    Caro Magno, minha sugestão para as questões de fé e crença, é você fazer a seguinte substituição: mudar a fé para “estudo” e a “crença” para observação. Daí sairá à equação: estudo + observação = esclarecimento.

    Um abraço.

    {rcristo}

    • Reinaldo, tudo bem?

      Perdoe o enorme silêncio. Estou atulhado de trabalho aqui. Mas vamos prosseguir.

      De fato grande parte da humanidade vive em um ambiente que lembra a Idade Média. É o paradoxo que está estabelecido entre países do primeiro e do terceiro mundo. No entanto a crença num ser superior prevalece, mesmo nos países do primeiro mundo, desenvolvidos. Aliás eles estão na nossa frente até nisso, haja vista que as promessas da modernidade, do período áureo da racionalidade e do estado laico, não se cumpriram. Como disse em outro email, duas Grandes Guerras foram mais que suficiente para desencantar o mais cético dos modernistas.

      Qual resultado isso provocou? Alguns chamam de pós-modernidade, outro de hiper ou ultra-modernidade, outros preferem não chamar de nada. Mas a que característica estou referindo? Ao próprio retorno à espiritualidade. Reinaldo, hoje em dia até mesmo as corporações lançam mão da espiritualidade em seus programas para os colaboradores. Incentivam o desenvolvimento dessa aspecto do ser, se apenas com vistas ao aumento de produtividade ou não, não é o caso. Mais: há, inclusie no Brasil, vários estudos acadêmicos publicados sobre a espiritualidade, sua influência nos adultos, nas crianças, em ambientes diversos. Quem faz esses estudos? Os chamados “céticos”. Não são “crentes”. Há um retorno maciço ao tema em décadas recentes. A própria psicologia (os acadêmicos de) desvincula uma parte de seus esforços para, especificamente, o trato da matéria.

      É notável que nos anos recentes o avanço da ciência deu saltos gigantescos. A história contempla a fé desde há 6 mil anos e, seguramente, ao longo desse período, outras inúmeras ocorrências desse embate foram superadas. Não tenha dúvida que é uma questão solucionável. O “não ter com quem compartilhar a fé” não significa nada. Enquanto um ou outro sofre com isso, milhares recebem-na de bom grado. O próprio IBGE aponta que em 2020 os evangélicos serão maioria no Brasil. Há muita gente admitindo essa fé, que hoje cresce exatamente nas chamadas classes BA e A. Do mesmo modo que você menciona amigos com dificuldades de compartilhar a sua fé, recentemente conheci um cientista, físico, estagiou na NASA, que disse haver hoje pelo menos 10 mil cientistas cristãos na comunidade. Kepler, Pascal, Newton, Pasteur, James Maxwell e tantos outros foram cristãos convictos enfrentando a fúria do Catolicismo contra suas crenças e descobertas.

      A religião no futuro

      Não entendo o motivo pelo qual afirmou que a religião não fará sentido no futuro. As bases tecnológicas nada têm a ver com isso, já que o fundamento da religião é, exatamente, a fé. Reinaldo, você está admitindo que religião é o pré-primário da ciência. Não é. Estamos falando de categorias distintas, como já adverti no email anterior. Ciência e fé fazem parte de ambientes distintos. Até Marcelo Gleiser admite isso! Todos os cientistas sérios admitem isso. Claro, há aqueles picaretas, que fraudam descobertas para “comprovar” suas teses. Quantos homens de neandertal foram redesenhados a partir de uma pederneira? Sabemos, você e eu, dessas histórias. Há muito dinheiro e reputação atrás disso. Vamos falar de Darwin? Cadê o elo? Não existe nada além de forçação de barra, contnua sendo “teoria”, cujo autor admitiu no final da sua vida. Quem disse isso? Ninguém tem interesse em divulgar. Mas sabemos, todos sabemos.

      Ciência lida com o observável. A fé não. É com o improvável que ela lida. Com o inobservável, inobservável até que aconteça e entre para a categoria de fato, testemunhos da fé. Isso está inerente ao homem. As questões da fé são outras que a ciência procura entender, mas não pode explicar. Se o livre-arbítrio existe ou não, como disse a matéria, isso só comprova que há uma força acima do homem. A natureza não tem cérebro, e age com inteligência. Então quer dizer que o terremoto e o tsunami não existiram? Quem regeu aquilo? Ah, são campos magnéticos. E o cérebro? É um campo elétrico. Que crente nega isso? Eu não.

      A existência ou não do livre-arbítrio não nega a fé. Se você disser isso a um cristão calvinista, ele pulará de alegria, pois o calvinismo é uma abordagem teológica que pressupõe – para o seu espanto – exatamente isso: Deus determina todas as coisas. Aliás, para seu conhecimento, esses são dois grandes grupos entre os cristãos, os chamados calvinistas (não crêem na autonomia do livre-arbítrio, e os arminianos, que crêem no arbítrio humana e sua responsabilidade). A existência de Deus (nosso ponto inicial) não depende de eu crer ou não dele. Ele sim é um Ser autônomo. Se você não crê em Deus, isso não muda nada Nele. Se a tecnologia avança? Melhor para nós dois, que podemos continuar tendo esse maravilho bate-papo às custas dela.

      Forte abraço e bom final de semana.
      Magno

      PS estou copiando o Wlademir, que é o moderador do blog onde você leu o artigo inicial. Pode incluí-lo nos próximos emails.

  3. Caro Magno

    Por aqui, está tudo ótimo, e por aí como andam as coisas? Também estou cheio de trabalhos, aja tempo para tanta coisa, mas vamos continuar o nosso diálogo!

    O problema da fé e da crença são suas bases

    Percebo o contraponto em que a fé se encontra hoje, a fé possui seus alicerces em um terreno movediço, e mais cedo ou mais tarde, acabará afundando no obscurantismo. O que tento dizer com isto, é que a fé veste-se de uma roupagem adaptada ao mundo presente; o contexto é diferente, mas a retórica é sempre a mesma. As religiões e os religiosos usam um pano de fundo (a realidade imediata), como uma resposta para os problemas que afligem as pessoas; afirmam que há alguma razão em acreditar e ter fé, mas quase sempre é apenas uma explicação que não pode ser usada como referência ou episteme.
    O estado dito espiritual que as pessoas se referem é um estado de percepções subjetivas que têm muitas interpretações, e tudo tende ao próprio estado emocional de cada um.

    Como percebemos e conhecemos o mundo à nossa volta?

    O primeiro contato com o mundo é feito por meio dos nossos 5 sentidos, o segundo é feito pelo cérebro e o terceiro é feito pela mente; transformando o que é sentido em uma interpretação e, por fim, uma afirmação. Podemos simplificar este raciocínio desta forma: primeiro é preciso sentir, perceber o sentido, e conceber o que estamos presenciando. Até aqui a ciência ainda não entrou, isto é, não usamos um raciocínio dedutivo ou indutivo, também não utilizamos medição ou qualquer outra ferramenta utilizada pela ciência, apenas foram citados os procedimentos de contato com o mundo.

    Usando os mesmos 5 sentidos; nosso cérebro e nossa mente, pergunto onde está Deus? Onde reside a fé? Não é preciso adentrar na teoria das cordas ou na teoria quântica para poder perceber que tanto a fé, quanto Deus; não existem. O terreno da fé é apenas usar o estado emocional para gerar uma crença que sirva de consolo para aqueles que estão iludidos por algo que não compreendem. É por isso que digo que no momento presente, nós subimos mais um degrau na escada da evolução, esse degrau se chama: autoconsciência.

    O que é autoconsciência?

    “Segundo Frank, Manfred. 2002. Em filosofia da mente, autoconsciência é a característica lógica da consciência de ser, constitutivamente, consciência da consciência. Não há consciência sem autoconsciência. Sempre que um sujeito tem consciência de um objeto ele tem autoconsciência da sua consciência desse objeto.
    A autoconsciência não se difere da consciência, a não ser logicamente. Consciência e autoconsciência são simultâneas, pois são a mesma coisa. No entanto, a autoconsciência é logicamente anterior à consciência, pois a consciência a pressupõe.
    A autoconsciência é pré-reflexiva, pois, se fosse o fruto da reflexão, seria logicamente posterior à consciência. Mas, caso a autoconsciência fosse logicamente posterior à consciência, não haveria consciência. Logo, a autoconsciência é pré-reflexiva.
    A autoconsciência é distinta do autoconhecimento, o qual é “consciência de segunda ordem”, isto é, reflexão sobre a própria consciência.”

    Autoconsciência nos leva à autodeterminação

    A fé começa a morrer quando em nossa mente passamos do estado de autoconsciência para a autodeterminação, que é a negação de valores impostos a nós, principalmente pelas religiões. Isso se torna uma reação em cadeia, onde cada ser autodeterminado, romperá as suas relações com a fé, porque a considera obsoleta.
    A partir do momento em que cada um de nós formos autodeterminados, simplesmente passaremos a preencher o nosso pensamento com: mais filosofia, mais ciência, mais amor, interações humanas, naturalismo, tecnologia, sabedoria, etc.

    Equação para o fim da fé

    Aí surge mais uma equação: E + A + AD = FF

    E = esclarecimento
    A = autoconsciência
    AD = autodeterminação

    FF = Fim da Fé

    Hoje vivemos segundo o princípio antrópico

    Segundo Hélio Jaguaribe (vide “um estudo crítico da história Vol. II, pág. 687”), a cosmologia contemporânea reconhece o princípio antrópico, segundo o qual a existência da vida, em geral, e do homem, em particular, se deve ao fato de que, desde o “Big Bang” primordial, o universo se desenvolveu exatamente como o fez.
    Outra implicação do princípio antrópico é a existência da “esfera antrópica”, o que significa que a natureza humana convive com uma certa gama de possibilidades – extremamente ampla, conforme são percebidas pelo próprio homem – dentro de cujos limites ela interage com o mundo. A esfera antrópica determina as fronteiras da percepção humana, da sua compreensão e de todos os outros aspectos da vida do homem.

    A consequência desses limites à excelência da ação humana está em que, se e quando um deles é atingido em um domínio básico – na arte, na ciência, nas instituições – dentro de determinado padrão cultural, os indivíduos portadores dessa cultura são obrigados ou a tentar repetir os padrões de excelência já atingidos ou a destruí-los.

    Como são os valores humanos dentro da esfera antrópica?

    A esfera antrópica é a mais elevada interação do homem consigo mesmo e com a natureza e o universo. Uma criança que nascer e viver dentro dessa esfera, terá uma visão de mundo completamente diferente: desde a tenra infância, receberá conhecimentos sobre como veio ao mundo, como é o mundo, o que é o universo e qual o seu posicionamento na galáxia, poderá pegar um binóculo e contemplar as constelações, apreciar a natureza. “Compreenderá que o bem e mal não existem como algo inerente ao mundo, e sim, como algo inerente à natureza humana.” Já saberá desde sua infância como o universo nasceu, e como chegamos a essa conclusão – ao contrário de sua geração passada, que utilizava palavras inventadas pelos criacionistas para inventar definições e suposições – poderá brincar com engenharia reversa e descobrir como as coisas funcionam – montar um quebra cabeças de 1000, 2000 até talvez 10.000 partes com o passar do tempo. As possibilidades para essa criança serão ilimitadas, pois não terá religião, mas saberá que a religião é como os contos de fadas: “O senhor dos Anéis, Alice no país das maravilhas”, etc…

    A morte dos absolutos

    Com este estudo chego à conclusão de que os valores inflexíveis e com fundamentos duvidosos tendem a desaparecer, como já está acontecendo na política de países opressores e fundamentalistas. Como afirmado nos parágrafos acima a partir do momento em que uma população percebe que está sendo manipulada, oprimida ou sacrificada, por seus representantes, cuja crença foi posta em xeque; conforme os princípios da autodeterminação, tendem a romper com essa tradição e entrar em choque exigindo mudanças emergenciais.

    Tanto a crença em Deus, quanto a fé nessa crença, também está caminhando para esse desfecho. Não preciso nem dizer o que acontecerá com as religiões no futuro quando a autodeterminação das pessoas perceberem esse limite.

    Um grande abraço.

    {rcristo}

    • >>Pois é, rs. mentiram para nós quando disseram (lá na década de 80) que com o advento do computador teráamos mais tempo para lazer, família, etc. Você e eu sabemos bem disso.

      O problema da fé e da crença são suas bases
      Percebo o contraponto em que a fé se encontra hoje, a fé possui seus alicerces em um terreno movediço, e mais cedo ou mais tarde, acabará afundando no obscurantismo. O que tento dizer com isto, é que a fé veste-se de uma roupagem adaptada ao mundo presente; o contexto é diferente, mas a retórica é sempre a mesma. As religiões e os religiosos usam um pano de fundo (a realidade imediata), como uma resposta para os problemas que afligem as pessoas; afirmam que há alguma razão em acreditar e ter fé, mas quase sempre é apenas uma explicação que não pode ser usada como referência ou episteme.
      >> E por isso mesmo é “fé”. Não concordo com “alicerces em terreno movediço”. Caramba, a ciência moderna tem 200, 250 anos e só de cristianismo (nem computo o judaísmo) são 2 mil anos! Que tereeno movediço é esse? Deveria ser objeto de estudo das ciências, rs.
      A questão da fé e o seu ambiente é problemática apenas para quem não a admite. Para quem admite a fé ela faz todo o sentido, é racional, explicável e tudo o mais (claro, há questões complexas como “por que o justo sofre” entre outras). mas veja que a história da humanidade conta de inúmeros (inúmeros) cientistas, pensadores, filósofos e gente magnífica de todas as áreas do conhecimento humano que triharam o caminho da fé, gente antiga e gente do nosso tempo. Gente extremamente racional admite a fé. Por quê? Ela é inerente ao ser humano em todo e qualquer tempo, em todo e qualquer pano de fundo, contexto e tudo o mais.

      O estado dito espiritual que as pessoas se referem é um estado de percepções subjetivas que têm muitas interpretações, e tudo tende ao próprio estado emocional de cada um.
      >> Mas tem sido cada dia mais objeto de estudo das ciências ditas modernas, que nada sabem e nada dizem de concreto sobre esse estado. São subjetivas para quem? Para a mente científica. Têm muitas interpretações? Até mesmo os resultados de pesquisas arqueológicas, diagnósticos médicos e afins têm muitas interpretações. Empatamos.

      Como percebemos e conhecemos o mundo à nossa volta?
      O primeiro contato com o mundo é feito por meio dos nossos 5 sentidos, o segundo é feito pelo cérebro e o terceiro é feito pela mente; transformando o que é sentido em uma interpretação e, por fim, uma afirmação. Podemos simplificar este raciocínio desta forma: primeiro é preciso sentir, perceber o sentido, e conceber o que estamos presenciando. Até aqui a ciência ainda não entrou, isto é, não usamos um raciocínio dedutivo ou indutivo, também não utilizamos medição ou qualquer outra ferramenta utilizada pela ciência, apenas foram citados os procedimentos de contato com o mundo.
      >> Ok.

      Usando os mesmos 5 sentidos; nosso cérebro e nossa mente, pergunto onde está Deus? Onde reside a fé? Não é preciso adentrar na teoria das cordas ou na teoria quântica para poder perceber que tanto a fé, quanto Deus; não existem. O terreno da fé é apenas usar o estado emocional para gerar uma crença que sirva de consolo para aqueles que estão iludidos por algo que não compreendem. É por isso que digo que no momento presente, nós subimos mais um degrau na escada da evolução, esse degrau se chama: autoconsciência.
      >> Mas aí você misturou as estações novamente. Você usa pesos diferentes. Deus não pode ser provado pela mente humana. Nenhum teólogo em sã consciência proporia isso. Nem mesmo a Bíblia, tida por nós como Palavra de Deus, tenta fazer isso.
      A existência de Deus está acima da compreensão humana. Ponto. Ele transcente, é o outro. No entanto, ele comunica a sua existência por uma série de meios. Assim, ela é percebida por meio da natureza, das coisas criadas, pela ordem no universo, e, por exemplo, pela coerência da sua Palavra, pela transformação de vidas etc.
      Quanto ao mais que você escreveu, Paulo o apóstolo disse “…mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé. O objetivo desta instrução [A Bíblia] é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera. Alguns se desviaram dessas coisas, voltando-se para discussões inúteis, querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas”.
      Nada do que as ciências dizem sobre o funcionamento do corpo humano, genoma, cérebro, estados mentais, nada disso tem a ver com a discussão inicial sobre ateísmo. Você, reafirmo, está usando categorias não pertinentes para discutir essas coisas. Poderia falar da lei da termodinâmica. Por que não a usa? Porque ela dá base para o que afirma a Bíblia. Por que nã cita Darwin? Porque ele negou sua teoria no final da vida e porque é uma teoria obsoleta, abandonada por cientistas modernos, porque não há elo perdido. E a lei da biogênese? Pior, apoia até o relato bíblico da criação em detrimento da “evolução”.
      Mas não é o caso, vamos descer para as coisas simples. Falar em autodeterminação para mim, que tive experiência de anos como usuário de drogas e hoje sou um profissional que inovou no mercado editorial, empresário que dá emprego a várias pessoas, não funciona. Eu sei do que estou falando na prática. Isso na teoria é muito bonito (sem desprezar o se conhecimento, pelo amor de Deus). Mas isso não funciona assim, É como pregar prosperidade nos EUA e prosperidade no Brasil. Por que lá funciona e aqui não? Conjuntura econômica e cultural. mas o cérebro do camarada é o mesmo? Sim. Então por que não funciona? Entende… há mais coisa entre o céu e a terra do que imagina a vã filosofia.

      Abração.
      Pr. Magno

      • Caro Pr. Magno

        A superação da fé começou no final de 1900 e se estendeu pelo século XX em diante – com as novas conquistas da ciência –, podemos dizer seguramente que no início do século XXI, não precisamos mais de crenças e fé.

        Erros na interpretação da realidade imediata

        Considerar que algo esteja acima da consciência humana, é admitir um erro semântico, isto é, não podemos atribuir valores a algo que não conhecemos, então como pode a Bíblia afirmar que existe um Deus, e ao mesmo tempo, dizer que não podemos conhecê-lo. Isso é absurdo!

        Os religiosos estão tão enganados a respeito daquilo que tentam compreender que confundem até mesmo a interpretação da própria realidade imediata. O erro mais grave é afirmar que o Bem e o Mal existem independentes no mundo – isso é outro absurdo –, como disse na explicação do texto anterior, “Bem e Mal” são inerentes apenas à natureza humana, e jamais fora dela.

        Então se uma pedra com 10 Km de diâmetro cair no planeta terra – como aconteceu a 65 milhões de anos – muito provavelmente será o extermínio da humanidade; mas, essa pedra não tem nada de Mal! Ela não tem vontade de cair, apenas cai por força da gravidade ou porque a terra está em sua trajetória. Por isso que digo que é absurdo dizer que existe o mal no mundo.

        Uma inteligência acima da nossa não existe até o presente momento

        É incrível como os religiosos tentam achar uma inteligência acima da inteligência do ser humano. Somente depois de conhecermos outros seres extraterrestres – que não serão deuses –, aí sim, poderemos comparar a nossa inteligência com a deles, antes disto, dizer que uma palavra de 4 letras possui inteligência é o cúmulo do absurdo!

        Compreender a esfera antrópica

        Muitos não querem admitir por ser contrária à sua fé; mas é imprescindível hoje, saber que vivemos em um mundo mapeado pela tecnologia, é ela quem determina nossos horizontes. Exemplos: Computadores, Gps, celulares, sondas (Cassini, Wmap, xandra, ibex, etc.).
        As informações que chegam até nós, são verdades esclarecedoras sobre o mundo em que vivemos; não podem ser ignoradas. Isso nos dá uma nova interpretação do universo – que não tínhamos acesso há 100 anos.

        Todo esse conhecimento reescreve o que sabíamos sobre o mundo. Isso deveria ser verdade para os religiosos que precisam reescrever ou substituir as suas crenças em acordo com a equação proposta:

        Substituir Fé por “Estudo”
        Substituir Crença por “Observação”

        Estudo + observação = esclarecimento.

        A partir do momento que o esclarecimento começar a bater na porta da consciência, esta vai acordar para a realidade e perceber que havia erros e enganos na pragmática do sujeito, este, portanto, terá de aceitar as novas proposições.

        Histórico e conceitual não podem ser usados como única referência de valores

        Caro Magno, percebo que você usar a bíblia como referência para a sua argumentação, eu já uso o conhecimento imediato; não estou me atendo apenas à condição de ser um Ateu, e sim, ao meu repertório de estudos. Estou fazendo uma síntese progressiva de assuntos atuais que formam a minha retórica para explicar o meu posicionamento de não ter crenças, ao posicionamento de quem as tem.

        Tenho tentado mostrar através de vários estudos que utilizar uma fonte duvidosa tal qual é a Bíblia – algo escrito e reescrito no decorrer de 2000 anos – para fazer frente ao que temos de melhor hoje em matéria de pesquisa, causa uma enorme confusão tanto para quem está por trás da explicação, quanto para quem precisa tomar conhecimento sobre esses assuntos.

        Estou simplificando ao máximo os termos usados e colocações objetivas, foi por isto que não utilizei termos da termodinâmica, para não adentrar em assuntos técnicos demais que envolveriam equações complexas.

        Tudo bem que é o direito de cada um aceitar apenas o que lhe dá conforto, mas te pergunto: não seria isso um autoengano?

        Abraços.

        {rcristo}

      • Reinaldo,
        Entendo o seu aparente desespero para fixar a ideia de que a ciência é a palavra final para tudo. Definitivamente não é e nisso concordam comigo todos os cientistas mais honestos. A ciência dá respostas para coisas que a religião não tem interesse e vice-versa. Ambas atuam em áreas de interesse distintas. Dizer que a fé foi superada não corresponde com a realidade. Aliás, como já disse em email anterior, cada vez mais empresas e as próprias ciência vêm se utilizando da religião e da espiritualidade. Que dizer da arqueologia que sempre se orientou pelo que diz a Bíblia?

        Sobre a consideração da realidade imediata, se usar o seu argumento às suas próprias reivindicações verá que no primeiro momento não há qualquer deturpação por parte da religião. A ciência (toda ela) parte de pressupostos e SÓ ENTÃO aplica o método científico (observação, testes, observações, repetições, conclusões).Ela parte de algo que SUPÕE, algo que está acima E ALÉM do conhecimento/consciência. É a ciência um absurdo?

        Mas no seu texto você erra ao tentar fazer teologia. Mostra que não conhece bem o tema. Jesus disse que o mundo repousa no mal. Como podem os religiosos dizer que o Bem e o Mal existirem independentes do mundo? O que você tem lido? Deve ser teólogo fajuto, contemporâneo, ou esses pseudo-teólogos que não conseguem projeção na vida acadêmica e aí miram suas baterias para a Igreja e passam a discorrer sobre Deus e a Bíblia sem usar os fundamentos adequados. A estratégia não é nova, mas muita gente ainda cai nela.

        Quando a Bíblia diz que não podemos conhecer a Deus a referência é a determinados atributos de Deus. Eu não vou entrar em detalhes de hermenêutica que seriam cansativos a você. Mas como na ciência moderna, a interpretação de textos antigos (que como hermenêutica também é uma ciência) deve respeitar suas regras. É por isso que muito jornalista por aí erra grosseiramente quando “inventa” de criticar as religiões sem usar as ferramentas adequadas.

        O exemplo da teoria do meteoro que há 65 mi anos chocou-se com a terra (isso não é ciência, pois não foi passível de observação) não pode ser enquadrado na discussão do bem e do mal. As categorias não são equivalentes e você é insistente em andar por esse caminho. Você quer usar a física para explicar questões morais. Bem e mal são questões morais e meteoros e suas devastações estão sujeitos às leis da física. Não vale. Você poderia, então, usar as mesmas leis para explicar como um menino é aliciado pelo crime no Morro do Boréu. Lei da gravidade? Magnetismo astronômico? Gostaria de ouvi-lo. O casal Nardoni e milhares de outros criminosos estariam numa área como a do Triângulo das Bermudas? Não é o mal que existe, mas as leis da física! Brasília também, no caso, estaria numa zona de convergência? África… Índia… a fome no nordeste…

        A própria ideia de uma inteligência superior, segundo Descartes, indica a existência da uma inteligência superior que comunica a nós a sua existência e possibilidade. Crer que um dia encontraremos seres extraterrestres sim, além de objeto de fé, pode ser classificado como fraude ou pressuposição científica. Você teria que escolher uma das duas possibilidade. Lembrando que até mesmo Nisam Guanaes (publicitário) chegou a afirmar quando uma sonda pousou em Marte: “Nós passamos os últimos quarenta anos dizendo que os marcianos invadiriam a Terra e nós é que invadimos Marte”.

        No seu último livro (O mundo assombrado pelos demônios), concluído por sua esposa por motivo de sua morte, Carl Sagan pergunta se haveria uma religião que pudesse antecipar com precisão determinados eventos. Ele diz: Pense em quantas religiões tentam se validar com prefecias. Pense em quantas pessoas se baseiam nestas, por mais vagas e irrealizadas que sejam, para fundamentar e sustentar suas crenças. (p.44).

        SÓ sobre a vida de Jesus há mais de 40 profecias que foram cumpridas ipsis literis. O rei Davi disse, 1000 anos (!) antes, as palavras que Jesus diria na cruz. Além do mais, a arqueologia (uma ciência) confirma que os manuscritos ao Antigo Testamento (onde aparecem essas profecias), são genuínos e, portanto, confiáveis. Não vou estender-me aqui descrevendo essas profecias e o local onde relata o seu cumprimento, a não ser que queira (eu enviaria o capítulo que trata disso).

        Você argumenta que a fé dispensa a ciência e o conhecimento imediato. Eu nunca faria uma afirmação como essa. Aliás tenho insistido que ambas as áreas atuam em campos distintos e não necessariamente precisam ser excludentes. Ninguém ganha com isso.

        Admitir a fé não é sinal de inferioridade, nem de acomodação em área de conforto. Você diria isso ao Francis Collins? (leia o texto abaixo e tire suas próprias conclusões).

        Eu admiro o seu esforço pelos estudos e por tirar as nuvens da ignorância de sua frente. Mas negar a existência de Deus atacando os inúmeros benefícios que a nossa raça recebeu por conta da fé não seria a melhor opção. Negar a existência de Deus acima de nossa compreensão não seria uma forma de esconder-se e viver livre de uma prestação de contas? Quando eu estive preso há algumas décadas, conheci gente que justificava o seu crime alegando razões legítimas. Você não estaria com medo de admitir que precisa de Deus, talvez após ter sofrido alguma grande decepção?

        PAI DO PROJETO GENOMA HUMANO, FRANCIS COLLINS, DIZ QUE SER ATEU É ANTICIENTÍFICO
        No mundo Ocidental, desde sempre, Ciência e Religião se enfrentaram. Ao ponto de se estabelecer o preconceito imbecil de que cientistas e religiosos são, por natureza de suas vocações, inimigos naturais. Se papas, bispos, pastores e padres olham com desconfiança os que buscam a verdade nos laboratórios, no mundo da pesquisa científica a fé é vista, no mínimo, como sinal de ingenuidade e ignorância.

        Nas últimas décadas, as pesquisas no campo da genética se tornaram o ponto mais sensível desse enfrentamento. Apressadinhos de ambos os lados começaram a comemorar, antecipadamente, que a descoberta do código genético do ser humano daria aos laboratórios a condição de se igualarem a Deus, criando gente sob encomenda como as montadores de veículos produzem carros segundo as tendências do mercado.

        E foi justamente no ambiente dessas pesquisas que apareceu alguém com coragem para dizer que um cientista pode crer em Deus, professar a sua fé, sem deixar de ser respeitado pelo seu valor como pesquisador e estudioso: Francis Collins.

        Biólogo respeitadíssimo, Collins é um dos cientistas mais notáveis da atualidade. Diretor do Projeto Genoma, bancado pelo governo americano, foi um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, em 2001. Desde então, tornou-se o cientista que mais rastreou genes com vistas ao tratamento de doenças em todo o mundo.

        Alvo de críticas de seus colegas, cuja maioria nega a existência de Deus, Collins decidiu reagir. “Ignorância, superstição e falta de bom senso é negar a existência de Deus a priori, sem pensar de forma séria e metódica sobre o assunto. Nada é mais anticientífico do que ser ateu.”

        E para explicar sua convicção, o cientista publicou, ano passado, nos Estados Unidos, um livro que causou a maior polêmica e cuja tradução foi lançada no Brasil,pela Editora Gente,com o título “A Linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe”.

        Até seus 27 anos, Collins era um ateu convicto. Foi somente na faculdade de Medicina que começou a perceber o verdadeiro poder da fé religiosa entre seus pacientes. Então, começou a mudar. Hoje, Collins é considerado um cientista religioso que defende a existência de Deus e a importância da ciência para a humanidade.

        Collins, que nas horas livres gosta de pilotar sua motocicleta, escrever paródias e tocar violão, por mais de 12 anos liderou o Projeto Genoma Humano. Com o apoio de Bill Clinton, empenhou-se em revelar a seqüência do DNA. Levou um susto quando o então presidente dos EUA afirmou, no dia da conclusão do projeto, que “hoje estamos aprendendo a linguagem com a qual Deus criou a vida”. Pensou em discordar de Clinton na hora, mas resolveu refletir sobre o assunto.

        No livro, Collins explica que a experiência de mapear o genoma humano, além de ser um mergulho no mais notável dos textos – o DNA -, pode ser encarada tanto como uma conquista científica quanto também uma descoberta digna de veneração. Ao combinar sua fé cristã à experiência adquirida na área de estudos genéticos, Collins se debruçou sobre questões de caráter científico e espiritual simultaneamente, e afirma que “a ciência não deve se sentir ameaçada por Deus, mas sim reforçada. E Deus certamente não está ameaçado pela ciência; foi Ele quem tornou tudo isso possível”.

        Para ele, “é nosso dever levar em consideração todo o poder das perspectivas científica e espiritual para entendermos tanto aquilo que enxergamos quanto aquilo que não enxergamos. E a sacada desse livro é a soberba integração entre essas duas perspectivas”. O pesquisador afirma que há uma base racional para crer na existência de um Criador e que todas as descobertas científicas “aproximam o homem de Deus”. E, por isso, acredita que uma das grandes tragédias do nosso tempo é a impressão que se criou de que ciência e religião devam estar em guerra.

        Partindo de sua experiência, Collins afirma que decifrar o genoma humano não criou um conflito em sua mente; porém, lhe permitiu verificar os trabalhos de Deus. “O problema é que nos últimos 20 anos, com muita freqüência, as vozes que são ouvidas nos debates públicos sobre esses temas são aquelas que defendem posições extremas”, afirma. O livro de Collins chegou ao Brasil sob a luz da polêmica.

  4. Muito boa a discussão de vocês. Estava procurando exatamente algo assim para conseguir entender Deus, religião e o que leva as pessoas a acreditarem tanto que Ele exista.

  5. Caro Pr. Magno

    O meu objetivo neste discurso e neste embate é justamente resolver um dos grandes problemas de interpretação, que é precisamente o problema da validade da fé e da crença metafísicas. Para que a crença e a fé sejam racionais (válidas e aceitáveis) antes, será preciso passa-las pelo crivo da análise, na tentativa de saber se realmente solucionam determinados problemas. Em relação às evidências que encontrei; já as descartei pessoalmente por completo. Mas, como nem todos têm um repertório rico em evidências, conclusões, proposições, etc. Sinto-me inclinado a discutir toda essa problemática.

    Não estou dizendo que a ciência seja tudo, apenas mostro que a ciência está apta a encontrar evidências válidas em todos os campos de sua aplicabilidade. Não existe nada de absurdo na ciência, muito pelo contrário, a ciência aplica os métodos: lógicos, matemáticos e empíricos para satisfazer as exigências da compreensão, validade, afirmação; para somente depois de tentativas inversas e reversas de refutação, chegar às conclusões desejadas.

    “Ao contrário das crenças, fé e religião, que se baseiam apenas em ideias, que são por sua própria natureza, metafísicas e irrefutáveis”; inclusive o existencialismo também é irrefutável. Com Kant aprendemos que a razão humana é incapaz de conhecer o mundo das coisas em si, e o que isto quer dizer? Significa que não é possível conhecer algo que não esteja dentro do fenômeno da compreensão, isto é, para que seja possível compreender algo, antes, é preciso que esse algo seja transportado para o âmbito de compreensão, e uma vez feito isto “a coisa em si”, deixa de existir porque não é mais em si.
    É o mesmo que tentar ver um elétron circulando ao redor do núcleo atômico, é impossível fazê-lo, porque temos de iluminar esse elétron para tentar vê-lo, e ao fazer isso, imediatamente ele ganha energia e pula para outro lugar, muda de posição ou simplesmente some. Esta é a comprovação física cabal de que a coisa em si morre ao tentarmos compreendê-la diretamente.

    E o que dizer de “Deus”, uma ideia metafísica insustentável e ao tentar compreendê-lo, o próprio fenômeno de sua compreensão nos faz tomar o único caminho sensato, negar a sua existência.

    Outra fórmula para Deus

    Um dividido por zero (1/0), é outro resultado a que chego, pois tenho uma ideia “Deus”, mas nenhuma possibilidade de compreensão sobre ela (0), que tende à impossibilidade de qualquer definição válida para sua existência, simbolizada pelo infinito, que neste caso significa irrefutabilidade. É por isso que gosto muito de matemática – ela coloca o raciocínio nos eixos quando o assunto tende ao absurdo -, quando os cálculos dão divisão por zero, significa que estão errados.

    Continuo afirmando que “Bem e Mal” não existem no mundo e nem poderiam existir!

    Veja que contradição: eu tenho no meu quintal uma ogiva nuclear pronta para ser lançada sobre quem eu desejar, te pergunto? A ogiva é o mal; ela tem vontade própria? É claro que não! Se eu decidir não lança-la, ela continuará lá pelo resto da vida. Não vejo nem o Bem e nem o Mal no mundo. A retórica está mal colocada, o que vejo é: atitudes boas e atitudes más, só isso! Eu não posso atribuir um predicado para o mal, apenas um sujeito. Para saber mais leia: Nietsche “Além de Bem e Mal”. O mesmo raciocínio é aplicável aos sujeitos que cometem crimes, aos sujeitos que estupram, aos que cometem atrocidades, aos responsáveis pelo mensalão, etc. Se admitíssemos que o Mal existe, então ele irá disparar sozinho as ogivas nucleares que estão nos silos, isso é um absurdo, sem os sujeitos não existiriam essas ações.
    Na China Ateísta eles resolvem muito fácil o problema dos criminosos, simplesmente os colocam no paredão e os fuzilam. Falando moralmente, o mal é apenas uma questão da falibilidade humana, que não está associada a nada fora dela mesma, apenas à natureza humana.

    Extinção Cretáceo-Paleogeno

    A grande quantidade de Irídio depositado ao redor da enorme cratera que se formou no golfo do México, é aceita pela comunidade científica como prova do choque de um asteroide com a terra no período Cretáceo-Paleogeno, vide fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Extin%C3%A7%C3%A3o_Cret%C3%A1ceo-Paleogeno

    Muitas empresas e instituições se utilizam dos métodos usados por religiosos para contagiar seus empregados e funcionários; isso é válido, porque realmente é comprovado que o senso comum impera na visão de mundo da maioria das pessoas. É aquele velho ditado: quem não tem cão caça com gato mesmo!

    Ainda não existe nada superior ao ser humano

    Digo ainda, pelo fato de nós já conseguimos sair do planeta terra, fomos até a lua várias vezes, estamos vivendo no espaço (Estação orbital internacional), há vários anos, somos realmente extraterrestres. Então é simples perceber que, se somos extraterrestres, orbitando a estrela sol, o que dizer dos 50 bilhões de planetas possíveis que fazem trânsito (orbitam) em suas estrelas, somente na nossa galáxia? Para saber mais leia sobre o observatório de planetas extrasolares Kepler: http://pt.wikipedia.org/wiki/Kepler_%28sonda_espacial%29

    A engenharia reversa tanto do ser humano quanto do cosmos não encontrou um Deus

    Para o físico Steven Hawking de Cambridge, em seu mais novo livro “The Grand Design” (o grande projeto), disse que não é preciso um Deus para criar o universo. Então, porque um matemático e físico do porte de Hawking, afirma no final de sua vida que sua razão não pode conceber algo como Deus? Já li todos os livros dele, estou finalizando a leitura deste último livro que pode ser baixado no meu site: http://rcristo.com.br/2010/10/10/the-grand-design-stephen-hawking-mp3-pdf/

    A realidade imediata e a esfera antrópica

    Até mesmo aqueles que não são religiosos percebem facilmente que a nossa realidade está mudando rapidamente, hoje o conhecimento científico dobra em menos de dois anos, é algo que ficou muito rápido, porque a técnica produz mais técnica, já temos computadores que conseguem fazer operações complicadas tal qual é uma operação do coração, basta você adicionar ferramentas a eles e orientá-los a essa atividade. Em menos de 10 anos, provavelmente as máquinas já poderão fazer sozinhas o que muitos humanos fazem hoje. O ser humano se transformou numa enorme experiência existencial. Hoje mapeamos o invisível, numa escala tão pequena que somente através da matemática é possível representá-la. E cadê a fé nisso tudo, cadê a crença, será que ela é ainda menor do que a constante de Planck, ou seria a partícula de Deus (apelido dado pelos físicos do LHC, para o bóson de Higgs que se presume ser o agente formador da massa da matéria)? Não é nada disso, é apenas a técnica humana, atingindo camadas profundas tanto do micro quanto do macro cosmos.

    Não é preciso ter fé para receber uma ligação telefônica via celular, o mesmo se aplica aos aparelhos que nos possibilitam ver os planetas extrasolares, as galáxias, estrelas distantes, buracos negros, quasares, etc. Eu que gosto de astronomia pude ver a mancha do hemisfério sul de Júpiter, um furação que é 3 vezes maior do que a terra se dissipar em poucos meses, e depois retornar com força total, tudo do alto do meu prédio; claro, com o uso de bons telescópios.

    O meu objetivo não é fazer teologia e sim superá-la por completo

    A teologia cria uma confusão na mente dos menos preparados, e a única coisa que a teologia tem para nos mostrar são textos e conteúdo histórico nada mais, portanto, não é preciso citar fontes nem conclusões sobre esses textos, eles pertencem apenas à categoria dos fatos históricos.

    A nossa referência segura em matéria de conhecimento são as pesquisas desenvolvidas por cientistas; são eles quem tem todo o aparato tecnológico para nos dizer se existe um Deus, como surgiu o universo, como surgiu o ser humano. Se em menos de 5 anos o conhecimento humano irá dobrar a cada ano, tudo o que a religião tem a nos oferecer são fósseis dos primórdios do conhecimento humano.

    O maior problema que vejo é a falta de percepção da maioria das pessoas sobre esse tema, se é uma questão puramente lógica comparar Deus com uma divisão por zero, e logo descobrir que ele nunca existiu, ou melhor, foi apenas uma tentativa humana equivocada em tentar responder a pergunta: como surgiu o universo? Acabamos descobrindo ou que estamos fazendo a pergunta errada ou procurando no lugar errado, ou ainda, utilizando um elemento errôneo para satisfazer a nossa equação. Se esse elemento não puder satisfazer a nossa pesquisa, a atitude mais sensata é não continuar insistindo no uso da metafísica para se chegar à física.

    A metafísica de Francis Collins

    Li bastante sobre as conclusões de Collins, inclusive a entrevista que ele concedeu à revista veja: http://veja.abril.com.br/240107/entrevista.html – mas pude perceber claramente que ele não está fazendo uso de suas conclusões científicas, em minha opinião técnica, como ele pode passar de um estudo físico e químico, para um estudo teológico? É muito estanho as colocações dele, porque não existe ponte para as duas coisas, a partir do momento que a sua equação é dividida por zero, significa que existe um erro de interpretação ou algo parecido. Uma das afirmações errôneas de Collins é a de que Deus está fora do mundo natural, é o mesmo que dizer: a “essência veio antes da existência”, é o que todo religioso pensa, mas é um erro terrível, não é possível atribuir qualquer coisa que seja ao que ainda não existe. É o mesmo erro afirmar que o ovo nasceu primeiro.

    Abraços

    {rcristo}

    • Prezado RCristo,

      Não quero desrespeitá-lo, de modo algum. Até aqui fomos cordiais mutuamente e não há qualquer necessidade de mudar este estado de coisas.

      O que quero é simples: cessar minha participação neste diálogo. Ele se fez insutentável. Não chegamos nem chegaremos a um ponto comum com as coisas nesse rumo. Sabia disso desde o início, pois a maneira como vemos ambos os campos do conhecimento (científico e religioso) estão apoiados em premissas divergentes, ou seja, vejo que você insiste em não usar o mecanismo adequado ao tratar da fé, mas aprofunda a sua visão da ciência e da filosofia, distanciando-se muito do que a fé é: simples.

      Confesso que não perco mais tempo com isso, não da forma como está.

      Nós que admitidamente temos fé temos razões (sim, a expressão é “razões”) que sustentam nossa crença. na comunidade cristã há cientistas renomados (desde séculos), biólogos, astrônomos, bacteriologistas etc., etc., etc. Essa gente pensa racionalmente, mas sabe adequar os termos quando o assuntos é ciência e fé. Todos nós temos razões para mantermo-nos firmes em nossas convicções, mas são convicções que, como já disse, não cabem à ciência. Ela é impotente, incompetente eu diria, para explicar muitos fenômenos religiosos. A ciência não dispõe de todas as respostas, saiba disso, e nem a fé no seu sistema dogmático está disposta a dar essas respostas.

      Um forte abraço,
      Magno

  6. Disse Jesus: Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vem ao pai senão por mim. João 14:6 disse:

    Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.
    Hebreus 12:14

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