Reforma protestante 493 anos

Neste ano de 2010 comemoramos os 493 anos da Reforma Protestante. Filhos protestantes de todo o mundo rememoram o dia em que o monge agostiniano Martinho Lutero afixou suas 95 teses sobre as indulgências católicas na porta da igreja do castelo de Wittinberg na Alemanha. Depois de quase cinco séculos ainda precisamos refletir sobre aqueles dias importantes, não com um nostálgico sentimento, mas com uma grande tarefa para estes dias. Na realidade a Reforma nunca foi um evento acabado. Desde o início os reformadores tiveram como lema que “uma igreja que foi reformada sempre precisa ser reformada” (*), no entendimento que a obra nunca se esgota completamente.

Algumas questões são importantes aqui quanto ao que estamos vivendo no Brasil no momento, por esta razão gostaria de refletir a Reforma da seguinte maneira:

A Reforma é Universal – Ela não é propriedade de um país, de igrejas e de pessoas. Ela é o objetivo de Deus para o Seu povo. Com isso não quero aqui afirmar a exclusividade e pregar a intolerância religiosa, mas do ponto de vista divino, o homem sempre irá precisar de uma Reforma. Ou seja, caído e falido pelo pecado este homem enquanto estiver neste mundo precisa de uma reforma moral, visto que por si só não poderá fazer nada individualmente. Ele, em sua jornada precisará de apoio divino, precisará de uma igreja que se comprometa com a verdade e que lhe ensine os princípios do Evangelho, nesta igreja ele precisará ouvir sobre Cristo e Sua salvação, por esta razão, antes de ser um movimento revolucionário em níveis mundiais a Reforma é um movimento espiritual individual. Começa no movimento de Deus em favor do homem e culmina na salvação deste mesmo homem pela graça divina.

A Reforma não foi um movimento nacionalista – É claro que em alguns aspectos desvincular a Reforma do florescimento do nacionalismo em alguns países como a Alemanha, Suíça e outros no período reformado parece algo incomum, visto que isto realmente aconteceu nestes países. Devido, principalmente a alguns fatores como a exploração exercida pela Santa Sé Católica, também pela celebração dos cultos na língua pátria entre outros. Mas, a Reforma foi um movimento eminentemente religioso. Começou com uma refutação teológica sincera e não foi arquitetado por algum político ou quem quer que seja que desejasse se beneficiar com as terras católicas ou com o enfraquecimento do catolicismo em algumas áreas.

A Reforma como uma quebra de paradigmas medievais – Várias vertentes podem ser utilizadas para a comprovação desta perspectiva que defendemos. Na realidade a Reforma inaugura uma época tida por muitos como Iluminismo, pois não floresceu apenas nas artes e no redescobrimento das línguas originais, mas com a invenção da imprensa cadeia antes intransponíveis da ignorância caíram por terra. Questões econômicas foram rediscutidas, bem como formas de governar um país e a igreja e assim por diante. Foi de fato um evento único que deu forma ao que conhecemos hoje em nossa sociedade. Com a Reforma nasce os ideais democráticos, a liberdade do culto, o Estado Laico, entre outros pilares da democracia. Logo, sem a Reforma não poderíamos pensar em Ocidente como o conhecemos de forma alguma.

A Reforma e a educação – Antes, no período medieval, as faculdades eram benefícios dos mais ricos, do clero e daqueles que lhes eram chegados. A partir da Reforma vemos a educação chegar aos menos favorecidos, camponeses, artesãos e outros proletariados. Este entendimento começa com Lutero na Alemanha, atinge a Genebra calvinista e chegam às famosas universidades inglesas. Países como Holanda, Estados Unidos e outros também se beneficiam desta ênfase educacional. No entendimento dos reformadores o povo precisava ler a Bíblia para poder compreender suas doutrinas, bem como formar melhores cidadãos para fortalecer o Estado. Por esta razão, até hoje os países reformados são exemplos de educação, enquanto os que tiveram a influência do catolicismo enfrentam grandes dificuldades educacionais e democráticas.

A Reforma e o Culto – Outro grande legado da Reforma Protestante foi o seu culto simples. Destituído das imagens medievais, dos afrescos e proeminência das catedrais neo góticas, o culto protestante era altamente austero e simples. As músicas protestantes inculcavam a doutrina reformada nos corações dos crentes, a prediga era a parte central do culto e a atenção dos fiéis a este momento fazia com que o que se aprendia na igreja fosse aplicado no mundo. As nações protestantes ficaram livres das ladainhas, sinos, procissões das épocas católicas, mas ganharam em introspecção, florescimento moral de uma ética atuante e uma maior espiritualidade destituída de superstições romanistas.

A Reforma e a Ação Social – Após a perseguição ocorrida em países como a França e outros Genebra acabam se tornando em um centro de acolhimento de cristãos reformados huguenotes fugitivos, os mesmos foram acolhidos com um organizado sistema de diáconia na igreja Genebrina. Aliás, esta cidade ficou conhecida, nos dizeres de um homem que a visitou, como “a mais perfeita civilização desde o período apostólico”. O exercício da misericórdia foi um dos grandes diferenciais dos países reformados em épocas de crise.

A Reforma e a Evangelização – Outra importante contribuição reformada foi a disseminação da doutrina reformada em países ainda não alcançados. Ao contrário daqueles que criticam a doutrina calvinista, taxando-a de altamente acomodada e pouco influente em missões, as organizações reformadas foram grandes agências de evangelismo. Desde os ministros franceses mandados ao Brasil pelo próprio Calvino, até as missões da África pelos ingleses

Até os dias de hoje vemos cristãos calvinistas na vanguarda das missões, o fato de haverem, possivelmente mais arminianos é porque este segmento alcançou uma notoriedade superior nestes dias e não que os calvinistas não evangelizam.

Contudo, o legado da Reforma permanece até aos dias de hoje. Recentemente a Revista Times publicou uma matéria que coloca o calvinismo com a terceira maior idéia deste mundo, mostrando o quanto ainda hoje este segmento é relevante. Neste mês da Reforma o blog Evangelismo e Reforma saúda a todos os herdeiros da Reforma protestante. Crentes de diferentes denominações, que ao longo dos anos têm mantido vivo o sonho de Reforma da Igreja, que apesar dos dias, não desistem de lutar por uma igreja mais bíblica e saudável. Gostaríamos também de agradecer a Deus por tão importante obra que temos em nossas mãos e desejar a Reforma da Igreja em todas as suas esferas, mas principalmente na teologia e no testemunho. Revelando sã doutrina e vidas santas. Que Deus abençoe a todos que amam a Igreja de Cristo, amém.

(*) “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est”, de autoria do reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676) – Este era um dos lemas da Reforma.
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Fonte: Evangelismo e Reforma

Colaboração: Pr. Clenio F. Caldas

Um comentário sobre “Reforma protestante 493 anos

  1. Fabiano, a Paz do Senhor.

    Recebemos o texto de um colaborador, sem referencia a nenhuma fonte. Perdoe pela falha.
    Já corrigimos o post com a inclusão da fonte “Evangelismo e Reforma”
    Uma vez mais pedimos desculpas pela falha.

    um abraço
    Pr. Wlademir

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