Ao gosto do freguês

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (Romanos10:13-15a).

Ao ler o artigo intitulado “Contribua com a minha incompetência” do amigo Pr. Magno, no blog Neoprotestante (http://goo.gl/FF9F), me veio à memória uma experiência ocorrida já há algum tempo. Vamos a ela:

Certo dia, levei minha esposa e sua tia ao bairro do Bom Retiro em São Paulo, bairro famoso por sua tradição comercial e especialmente pela quantidade de lojas de confecções e moda. Durante o período que ali permanecemos, enquanto minha esposa passeava pelas lojas com sua tia, eu fiquei na companhia de seu tio Davi, procurando vaga para estacionar o carro e um lugar para passar o tempo.

O tio Davi e eu conversávamos sobre Jesus, sobre a Igreja e seus rumos. Procuramos um local para tomar um refrigerante, um café, enfim um local para passar o tempo, enquanto as mulheres se divertiam nas lojas.

Encontramos uma padaria e ali observamos um fato que veio de encontro ao que conversávamos. Ao nos dirigirmos ao caixa para pagar o café, travou-se um pequeno diálogo entre o rapaz do caixa e o Tio David:

“Você tem remédio para dor de cabeça?”

“Sim, o senhor que um envelope?”

“Não, queria apenas saber”.

Esse diálogo reforçou o que estávamos debatendo naquele momento: A Igreja está realmente cumprindo seu papel na sociedade? Será que o tem sido pregado em nossos púlpitos hoje em dia corresponde ao Evangelho genuíno? Até que ponto a mensagem está sendo adulterada para que fique ao gosto do freguês?

Como a padaria a igreja, também vem diversificando sua mensagem para atender ao maior número de “fregueses” possível. A padaria tem pão e café, mas também tem remédio para dor de cabeça.

O Apostolo Paulo, escrevendo a Timóteo diz:

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (II Timóteo 4:3-4).

Esse texto deixa claro que é o que estamos vivendo hoje em muitas igrejas o “freguês” não está interessado nas Boas Novas de Salvação, ele tem apenas “comichão nos ouvidos”, ele quer ouvir aquilo que gosta, aquilo que lhe agrade, aquilo que lhe traga tranqüilidade, que fale de prosperidade, de vitória, de soluções milagrosas sem esforço e de ações que não lhe causem incomodo. A Igreja não pode dar simplesmente o que as pessoas querem ouvir, ela tem o dever de dar o que as pessoas precisam ouvir. Porém, infelizmente, o que muitos pregadores estão oferecendo aos seus “fregueses”, é o que eles querem ouvir.

O tal “comichão nos ouvidos” é semelhante à água na boca que temos quando vemos um prato apetitoso. Por mais que saibamos o mal que aquilo nos faz, somos atraídos a ele, como que por um impulso suicida.

O que deve fazer um pregador que quer reunir uma multidão para lhe ouvir? Deve dar-lhes o que querem.

Fazer como Arão, que não resistiu à pressão popular enquanto seu irmão Moisés estava no monte recebendo as tábuas da Lei, e por conta disso, confeccionou-lhes um bezerro de ouro para que o adorassem.

As pessoas sentem-se atraídas por certos discursos, principalmente quando acariciam seus egos ou alimentam suas fantasias. Quem resume o Evangelho a promessas de prosperidade está somente atiçando a cobiça de seus ouvintes. Por isso muitas igrejas estão lotadas.

Parece que as pessoas gostam de ser enganadas. Muitas são como os atenienses:

“Pois todos os atenienses e estrangeiros residentes, de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir alguma novidade” (Atos 17:21b).

Por isso, são presas fáceis desses inescrupulosos, sobre os quais Pedro nos admoesta, dizendo que:

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas;” (II Pedro 2:1-3a).

Não sejamos ingênuos. Eles não querem apenas audiência e popularidade. Querem muito mais que isso! Desejam riqueza, fortuna e construir seus impérios particulares. Tudo sob o pretexto de “ganhar almas”.

A grande bandeira “ganhar almas”, tornou-se na justificativa perfeita para sua agenda particular, aproveitam-se do grande comichão que há nos ouvidos dos incautos.

Se a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, o fanatismo, a fé fingida vem pelo ouvir um pouco de verdade misturada com torrentes de mentiras e fantasias. A isso damos o nome de sofisma (raciocínio capcioso, feito com intenção de enganar)

Qual a melhor coisa a fazer?

Observe o foco de pregação, qual o alvo principal? O foco é o Senhor Jesus e o Evangelho genuíno? Ou apenas histórias fantasiosas?

Caso sejam apenas histórias, é melhor deixá-los falando sozinhos.

Pr. Wlademir.
Obs: O passeio pelo Bom Retiro com o tio Davi ocorreu em 2006.

Um comentário sobre “Ao gosto do freguês

  1. Amado Wlademir, foi uma delícia ler seu texto. Realmente, precisamos de pessoas com tal visão. Chega de termos que nos render aos ditames do mercado para fazer igreja. Igreja é a que prega verdadeiramente a Palavra, que não está absorta no entretenimento, que atrai o povo pelo PÃO genuíno, não pelos paliativos de dor…

    Parabéns,

    Aécio

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