A origem religiosa dos Jogos Olímpicos

Os jogos olímpicos atuais são mais do que uma competição esportiva entre os atletas mais dotados do planeta. São um encontro de povos, nacionalidades, diversidade cutural e religiosa. Além dos componentes políticos, ressalta-se do excessivo e decadente consumo através da mídia. Exposição espetacular, dramatismo e teatralidade de uma competição atlética que se desenvolve a cada quatro anos e que é observada atentamente por uma audiência maciça em todo o mundo.

Suas origens remontam a antiga Grécia, em torno do ano 776 da era cristã. Devemos recordar que a cultura, a identidade, a política e a religião estavam intimamente ligadas na sociedade helênica e apesar das diversas rivalidades que caracterizavam a evolução histórica das cidades gregas, os aspectos religiosos e espirituais, mantiveram uma unidade que permitiu a Grécia manter a coesão e comunicação cultural. Os Jogos Olímpicos tiveram um papel central na edificação dessa cultura, em que se colocava e jogo as habilidades, destrezas, força e inteligência dos melhores representantes das diversas cidades gregas da antiguidades, organizado em uma enorme  e popular festa político-religioso. Olímpia se converteu em um dos maiores expoentes de peregrinação do mundo antigo, muito mais destacada que as peregrinações aos santuários de Delfos (consagrado a Apolo) e Corinto (consagrado a Poseidon). Segundo a tradição, os deuses gregos viviam em uma espécie de cidade celestial situada no monte Olimpo; Ali existiam ligações entre as diferentes divindades e estavam organizadas de forma hierárquica; a suprema autoridade era Zeus, deus da ordem e justiça.

A religião grega, não praticada atualmente, teve sem dúvida uma enorme influência no mundo contemporâneo. Sobre essas antigas crenças pode-se dizer que são amplamente conhecidas devido à riqueza de documentos, fontes literárias como iconográficas, epigráficas e arqueológicas.

Os Jogos Olímpicos da antiga Grécia eram festejos de caráter cultural, esportivo, religioso e militar; Além das competições que se celebravam a cada quatro anos, que duravam cerca de quatro ou cinco dias, no primeiro e no último dia se desenvolviam rituais de adoração a Zeus, que incluíam sacrifícios, procissões e banquetes. Até hoje perduram símbolos religiosos como o fogo sagrado da chama olímpica e a premiação ou reconhecimento simbólico, não material, dos vencedores que são homenageados em um pódio. Os atletas se preparavam física e espiritualmente, durante meses antes das disputas. A audiência dos jogos nos coliseus e arenas era entorno de 45 mil pessoas, que para a época era um significativo deslocamento de pessoas. Os vencedores eram proclamados em toda a Grécia e suas virtudes exaltadas; seu prestígio exaltava sua cidade, sua região e o deus que o herói honrava. Os Jogos Olímpicos se mantiveram até o ano 300 de nossa era e decaíram porque seu espírito original se perdeu.

Excessiva manipulação política, nacionalista e a utilização dos heróis olímpicos, foram objeto de criticas e descrédito de uma nascente e vigorosa religião, o Cristianismo, que classificava os encontros de pagãos e brutais. Assim depois de celebrar cerca de 300 jogos na antiguidade, o imperador romano (cristão) Teodósio I cancelou as olimpíadas no ano 393 de nossa era.

O fundados do moderno movimento olímpico, que re-estabeleceu os jogos no século XIX, Pierre Frédy, barão de Coubertin, um ano antes de morrer declarou: “Portanto creio ter tido razão de haver proposto desde o princípio o renascimento olímpico e reavivar uma consciência religiosa”. Quer dizer propôs não só os confrontos esportivos, objetivando regatas seu espírito religioso, que foi o seu ponto de partida.

A principal diferença que há entre os antigos Jogos Olímpicos e os atuais é sem dúvida que as disputas esportivas modernas são um espetáculo profano, as competições esportivas, tanto as gregas como as romanas, se desenvolviam com um aspecto de festividade religiosa de forma que esses três conceitos: política, religião e esporte, aparentemente tão distantes um do outro, se mantiveram estreitamente ligados na antiguidade clássica.

Os Jogos Olímpicos de Pekin 2008 estão marcados pelos sinais de violação dos direitos humanos, em particular a liberdade religiosa no país anfitrião, que tem sofrido dupla pressão internacional político-religiosa: Cristã, encabeçada pelo Vaticano, Budista conduzida pelos seguidores do Dalai Lama e Liberdade conduzida pela Anistia Internacional. Todos lutam por mais espaço e reconhecimento das identidades sociais, culturais e religiosas. O espírito dos Jogos Olímpicos permanece apoiado no tripé: esporte, religião e política.

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4 comentários sobre “A origem religiosa dos Jogos Olímpicos

  1. Gosto do esporte e busco uma opção para que ele faça parte do meu trabalho na formação do jovem. Quero mostrar a sua origem e a sua importância no processo de inclusão social, mantendo as crainças distantes da droga e perto da bola na casa de deus.
    Prof°.Braid Ribeiro

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